terça-feira, 6 de maio de 2008

Flamengo





O grito estava adormecido, quase esquecido. Chegou em alguns momentos deste ano a ser trocado por vaias. Eis que três gols em apenas dois tempos - um em cada partida final - fizeram os rubro-negros relembrarem que Obina é melhor do que o Eto'o em alto e bom som na final do último domingo, no Maracanã.

O camaronês afunda na crise do Barcelona. Nesta temporada, até fez gols - foram 14 em 16 jogos - mas título algum na conta. Já o baiano do Flamengo marcou oito vezes no ano. E já readquiriu o status de xodó número 1 da torcida. Timidamente, ele admite que gostou de novamente ser comparado a Eto'o.

- Gostei muito. Tenho meus pés no chão sobre a comparação, mas se a torcida canta é porque estou agradando e meu trabalho foi reconhecido - declara o jogador.

Souza não faz gol há sete jogos. Ele e Obina, mais do que concorrentes, são amigos. Ambos já fizeram o papel de advogado de defesa do outro em casos de crise. Por isso, até na hora de falar sobre uma eventual titularidade, Obina mantém a humildade.

- Sei esperar. Quando o time precisa, estou lá para ajudar com meus golzinhos. Espero que continue assim.

Os gols decisivos são constantes nos três anos de Flamengo. Em 2005, quando era perseguido pela torcida, acertou o canto do goleiro do Paraná e garantiu matematicamente a permanência do Flamengo na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, o auge. Entrou no segundo tempo e abriu o caminho do título na Copa do Brasil sobre o Vasco. No último domingo foi a vez de o Botafogo experimentar a força do camisa 18 da Gávea.

- Deus perdoa. Obina, não - grita um torcedor enquanto o jogador dá entrevista.

Ao lado do pai, Manuel - presença constante na Gávea - o herói rubro-negro disse que espera continuar no Flamengo por muito tempo. Neste ano, quando a fase não era das melhores, renovou contrato até o fim de 2010.


Ele tem fôlego


Os constantes questionamentos sobre o peso de Obina ainda não cessaram. Mesmo com os gols há aqueles que defendam que, como está fora de forma, o jogador só agüenta 45 minutos. Mas o estigma de jogador de segundo tempo não cabe. Pelo menos é o que garante o preparador físico Ronaldo Torres.

- Se o técnico quiser colocá-lo de início, está pronto. Antes do jogo contra o Cienciano, lá em Cusco, fiz uma avaliação e mostrei que ele poderia melhorar um pouco. E esse pouco foi atingido. Sei que o Obina tem condição de jogar 90 minutos sem perder o ritmo - diz Torres.

O percentual de gordura de Obina chegou à casa dos 16% em certos momentos desta temporada. Agora, oscila entre 12% e 12,5%.

- É bom. Há jogadores que, por natureza, têm um biotipo cuja aparência é mais parruda. Quando era do Botafogo, o meio-campo Jamir também era assim. Não significa que o jogador esteja gordo - explica o preparador rubro-negro.

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